Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região

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Bacalhau e salmão estão mais baratos que churrasco

Bacalhau e salmão estão mais baratos que churrasco

 

 

O churrasco está caminhando para o hall das carnes nobres. Com o preço em alta, um bom pedaço de picanha pode custar mais caro do que pescados refinados, como salmão e o bacalhau. Após a disparada nos valores da carne bovina em 2010, os preços se estabilizaram em alta neste início de ano. No ano passado, a seca nas regiões produtoras e o consumo em alta foram apontadas como justificativas para o reajuste. Agora, segundo o presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Acats), Adriano Manoel dos Santos, os preços e a demanda se estabilizaram. Ontem, em pesquisa em seis grandes supermercados da Capital, a reportagem confirmou a concorrência acirrada do corte da picanha com os pescados nobres (veja abaixo). O quilo mais caro do bacalhau custava R$ 59,98, apenas R$ 2,83 a mais do que o preço mais alto da picanha. Em alguns estabelecimentos, a picanha chega a ultrapassar o preço dos pescados nobres.

 

Zefiro Giassi, dono da rede de supermercados Giassi, diz que é comum que o preço da picanha ultrapasse o dos peixes nobres em dezembro. Mas ele afirma que, no ano passado, a picanha nunca esteve tão cara. No fim do ano, segundo ele, a picanha custava R$ 40, em média, nos supermercados. Agora, o preço começa a cair em relação a dezembro, porque a procura pela carne diminuiu muito em função do preço. O empresário Beto Barreiros, dono restaurante Box 32, no Mercado Público da Capital, lembra que o bacalhau, além de mais barato do que a picanha em alguns mercados, tem um rendimento maior do que a carne bovina. E o salmão é, ainda, uma opção mais saudável, defende. – O brasileiro é muito carnívoro, prefere os cortes nobres de carnes vermelhas. Essa mudança nos preços é uma oportunidade para mudar esse foco e descobrir os pescados. Os cortes bovinos de segunda também são uma opção a ser descoberta. Sendo bem preparados, eles ficam muito macios e saborosos – avalia.

 

Ele reconhece que os preços em alta da carne bovina refletem diretamente no cardápio dos restaurantes. E o cliente nem sempre se mostra compreensível. O presidente da regional catarinense da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Fábio Queiroz, confirma que o reajuste da carne foi repassado para o cliente, mas diz que não na mesma proporção que chegou aos restaurantes. – A carne bovina foi a maior vilã no aumento dos preços dos últimos meses – reclama. A maior demanda por cortes nobres, diante do ganho do poder de compra do brasileiro, é apontado por Queiroz como um dos fatores que impulsionam os preços para cima. – Com mais dinheiro, o brasileiro está comendo mais carne. E são mais carnes nobres. Mas com os preços cada vez mais altos, neste verão já percebemos uma procura maior pelos pescados em relação ao ano passado – acrescenta.

Fonte:Jornal de Santa Catarina